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[Sondagem]
Conflito Rússia-Ucrânia já impacta indústria da região, aponta pesquisa

Reflexos negativos nesse momento, referem-se aos aumentos dos combustíveis e fretes internacionais e insumos para fertilizantes e o trigo

22 mar 2022 – 19h02
O diretor titular do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa (Foto: Divulgação)

APesquisa de Sondagem Industrial de março da Regional Campinas do Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), apresentada nesta terça-feira (22), apontou que a guerra entre a Rússia e a Ucrânia já impacta negativamente as indústrias da região, como as de Paulínia e Sumaré.

O estudo do Ciesp-Campinas revelou que 33% dos empresários ou diretores das empresas da região que responderam a Sondagem deste mês informaram que já foram atingidos de forma negativa pelo conflito, 47% prevê impactos para os próximos meses e 20% ainda não tem uma avaliação sobre o assunto.

A questão sobre o grau do impacto negativo desse confronto nos negócios das empresas, teve a seguinte resposta: 13% – alto impacto; 40% – médio impacto; 13% – pequeno impacto/ 7% – nenhum impacto; e 27% – ainda não tinha uma avaliação.

Para o diretor titular do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, os reflexos do conflito Rússia e Ucrânia na indústria regional nesse momento, referem-se aos aumentos dos combustíveis e fretes internacionais e insumos para fertilizantes e o trigo no segmento de alimentação. “Se o conflito se prolongar e tomar outros rumos que não desejamos, esse quadro pode mudar e impactar mais fortemente a indústria e outros setores”, acrescentou.

O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso, na mesma linha, explicou que na área de comércio exterior, as preocupações existem, principalmente com os contínuos aumentos nas tarifas dos fretes.

O diretor do Departamento de Comércio Exterior do Ciesp-Campinas, Anselmo Riso (Foto: Divulgação)

No entanto, em uma avaliação inicial da entidade, Riso explicou que os principais produtos que comprados desse bloco Rússia e Ucrânia, não representam muito para o volume de negócios da região. As exportações entre janeiro e fevereiro de 2022 foram de US$ 1,885 milhão. Isso representa apenas 0,25% do volume de exportação.

“Na importação, começamos a ter alguns pontos preocupantes. Importamos adubos, fertilizantes, materiais químicos, potássio e borracha. Nesse período de janeiro e fevereiro importamos US$ 17,6 milhões, o que representa 0,91% do volume de nossas importações na região. Temos dois municípios na região que são dependentes dessas importações – Sumaré e Paulínia, com adubos e fertilizantes. Dessa forma o setor agrícola deverá ser um dos mais afetados na região, devido a importação de insumos para fertilizantes, como o potássio”, acrescentou Riso.

Indicadores

Em relação aos demais dados apresentados na Sondagem Industrial de março, o diretor do Ciesp-Campinas, José Henrique Toledo Corrêa, afirmou que os indicadores são positivos e apontam para uma contínua recuperação da indústria regional. Aumento no volume de produção, estabilidade no número de funcionários, queda no nível de inadimplência das empresas e aumento na lucratividade são alguns dos tópicos positivos apontados pelo diretor.

Corrêa ressaltou como positivos para a indústria, “o fato de 47% das empresas associadas registrarem aumento no faturamento e também 87% delas afirmarem que operam com capacidade instalada de produção entre 50% e 100%”.

Balança

Em relação aos números da Balança Comercial Regional, em fevereiro de 2022 o valor exportado foi de US$ 263,6 milhões – 40,5% maior que em fevereiro de 2021. Já as importações no mesmo mês foram de US$ 971,7 milhões – 24,3% maior do que em fevereiro do ano passado. O saldo em fevereiro de 2022 foi negativo em US$ 708 milhões – 19,2% maior do que o registrado em fevereiro de 2021.

A corrente de comércio exterior regional (soma das exportações e importações) em fevereiro de 2022 foi de US$ 1,235 bilhão – 27,5% maior que no mesmo mês do ano passado.

Em fevereiro os principais municípios exportadores da Regional Campinas do Ciesp foram, pela ordem: Campinas (26,9%), Paulínia (23,4%), Sumaré (13,1%), Mogi Guaçu (10,5%) e Santo Antônio de Posse (5,1%).

Já os municípios que mais importaram foram Paulínia (38,4%), Campinas (26,9%), Sumaré (9,9%), Jaguariúna (7,5%) e Hortolândia (7,3%). O percentual do município refere-se a sua participação em relação ao total da Regional no Balanço Mensal.

O Ciesp-Campinas conta com 494 empresas associadas, distribuídas em 19 municípios da região. O faturamento conjunto das empresas associadas é de R$ 41,52 bilhões ao ano. Conjuntamente essas empresas empregam 98.894 colaboradores.

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