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[Pandemia]
Covid-19 mata mais 2 moradores de Paulínia, confirma Ministério da Saúde

Cidade está na 577ª posição entre os 645 municípios do estado no ranking de vacinação contra a Covid-19, de acordo com o governo de São Paulo

8 abr 2021 – 17h20
Estudo constata 4 reinfecções por Covid-19 em que pacientes tiveram sintomas mais fortes (Foto: Agência do Brasil)

OMinistério da Saúde registrou mais duas mortes de moradores de Paulínia em razão da Covid-19, até a tarde desta quinta-feira (8). Com isso, o total de mortes no município chegou 164 óbitos, conforme o governo federal, responsável pelos números oficiais da doença no Brasil. A quantidade de contaminados é de 10.632.

Para a Prefeitura, o total de mortes pela Covid-19 em Paulínia é de 156. Os infectados pela doença são 10.011 e os recuperados, 9.267, conforme os dados do boletim epidemiológico desta quinta-feira, com números atualizados até as 9h30. De acordo com a Administração municipal, há 598 casos ativos no município e outros 3.768 ainda em investigação.

Na manhã desta quinta-feira, pela primeira vez, desde o dia 4 de março, quando o Hospital Municipal de Paulínia “Vereador Antônio Orlando Navarro”, colapsou, conforme o próprio prefeito Du Cazellato (PL), havia menos pacientes Covid-19 que o número de leitos disponíveis para esses doentes na unidade da rede pública da cidade – 62 internados para 64 vagas.

Conforme o boletim epidemiológico da Prefeitura, até as 9h30 desta quinta-feira, 29 dos 30 leitos de Unidade de Terapia Intensiva (UTI) estavam ocupados e 33 dos 34 leitos clínicos Covid-19 acomodavam doentes da pandemia. Todos os internados em decorrência do coronavírus já testaram positivos para a Covid-19.

Nesta quinta-feira, a Prefeitura informou que, com dados atualizados até quarta-feira (7), 8.852 pessoas tinham tomado a primeira dose da vacina contra a Covid-19 na cidade. Para o governo do estado, foram 8.849 (7,9% da população estimada em 112.003 habitantes), o que coloca Paulínia na 577ª posição entre os 645 municípios paulistas no ranking da vacinação estadual.

Um estudo coordenado pelo Centro de Desenvolvimento Tecnológico em Saúde da Fundação Oswaldo Cruz (CDTS/Fiocruz) constatou quatro casos de reinfecção por Covid-19 em que os pacientes tiveram sintomas mais fortes da doença na segunda contaminação, apesar de os dois episódios terem sido considerados leves, sem hospitalização. Em ao menos um desses casos, a reinfecção foi provocada pela mesma variante do primeiro episódio.

A pesquisa será publicada na forma de artigo científico na revista Emerging Infectious Disease (EID), do Centro de Controle e Prevenção de Doença dos Estados Unidos (CDC). Além da Fiocruz, participaram pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), do Instituto D’Or de Ensino e Pesquisa (Idor) e da empresa chinesa MGI Tech Co. Segundo o coordenador do estudo, o virologista do CDTS/Fiocruz Thiago Moreno, a constatação reforça que uma parcela da população que tem a doença na forma branda não desenvolve memória imunológica.

“Demonstramos que um grupo de pessoas com sintomatologia leve para Covid-19 teve um segundo episódio de Covid um pouco mais forte, porque não foi capaz de gerar uma imunidade de memória depois do primeiro episódio. Assim como vários casos brandos de Covid-19, esses indivíduos tiveram o controle dessa primeira infecção pela resposta imune inata, aquela que não forma uma memória consistente e de longo prazo”.

Os testes realizados mostraram que a defesa do organismo com base em anticorpos só foi formada nesses indivíduos após a segunda infecção. “Isso mostra também pra gente que uma parcela da população que teve a doença branda no primeiro episódio pode voltar a ter covid-19 depois de algum tempo, e não necessariamente ela será branda de novo”.

Moreno explica que a possibilidade de reinfecção com sintomas mais contundentes se dá independentemente de o indivíduo contrair a mesma variante do novo coronavírus ou uma nova. “A reinfecção pelo novo coronavírus é possível, e isso é algo similar com o que acontece com coronavírus sazonais humanos e até alguns coronavírus veterinários”, diz o pesquisador.

Os pesquisadores envolvidos no estudo acompanharam um grupo de 30 pessoas de março a dezembro de 2020 com testagens semanais. O objetivo do estudo não era investigar a reincidência da Covid-19, e sim monitorar a segurança do grupo em seu local de trabalho. Diante das suspeitas de reinfecção constatadas, os cientistas se debruçaram sobre esses casos e comprovaram, por meio de sequenciamento, duas reinfecções. Nas outras duas, não havia material genético suficiente para o sequenciamento, mas os episódios da doença tiveram meses de intervalo com testes negativos.

Thiago Moreno ressalta que o estudo não foi desenhado para ter representatividade estatística, o que significa que não é possível extrapolar a proporção de pessoas reinfectadas para toda a população. Além disso, ele acrescenta que, apesar de o estudo ter constatado sintomas mais contundentes no segundo episódio de covid-19 entre os quatro pesquisados, isso não permite interpretar um padrão para os casos de reinfecção.

As quatro pessoas que se reinfectaram com a doença não precisaram ser internadas em nenhum dos dois episódios e tiveram casos considerados brandos em ambos. Para o pesquisador, quanto mais brando for o quadro de Covid-19, maiores são as chances de a memória imunológica não ser capaz de neutralizar o vírus em um segundo contato.

Moreno recomenda que pessoas já infectadas mantenham os cuidados para a prevenção da Covid-19 e explica que mesmo os exames laboratoriais comuns que permitem a detecção de anticorpos não são capazes de determinar se o corpo formou defesas neutralizantes.

“O que esses testes, em geral, não medem é se essa memória vai servir para a gente só como um traço para saber se foi exposto ao vírus ou se é uma memória neutralizante, capaz de bloquear a infecção viral. Tem uma diferença de magnitude muito grande entre ter detecção de anticorpos e esses anticorpos de fato te protegerem contra a infecção”, explica ele, que acrescenta que não se surpreenderia se os casos de reinfecção relatados no estudo tivessem um terceiro episódio de covid-19. “Não agora por não ter feito essa memória, mas porque a sustentação dessa memória pode ser curta”.

Insumos

Nesta quinta-feira, o governador João Doria (PSDB) anunciou, após reunião com o diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, que São Paulo receberá uma nova remessa de insumos de 3 mil litros para o processamento de mais 5 milhões de doses da vacina contra o novo coronavírus.

A matéria-prima, vinda da biofarmacêutica Sinovac, na China, deve chegar até dia 20 de abril, permitindo, assim, que o Butantan complete a entrega de 46 milhões de doses até o final do mês para o Programa Nacional de Imunizações (PNI) do Ministério da Saúde. Um segundo carregamento deverá chegar ainda em abril, com mais 3 mil litros, totalizando 10 milhões de doses em Insumo Farmacêutico Ativo (IFA).

Desde janeiro, o Butantan já disponibilizou 38,2 milhões de doses ao PNI, sendo responsável pelo fornecimento de mais de 80% das vacinas contra a Covid-19 aplicadas em todo o Brasil. Em janeiro foram entregues 8,7 milhões de doses. Em fevereiro, outras 4,85 milhões. Em março o Butantan acelerou a produção e liberou 22,7 milhões de vacinas para os brasileiros.

Neste momento, cerca de 3,2 milhões de vacinas encontram-se em processo de inspeção de controle de qualidade no complexo do instituto – parte integrante do processo produtivo – para serem entregues até o dia 19 de abril ao Ministério da Saúde. A partir do recebimento de cada lote do IFA, o Butantan executa todo o processo de envase, rotulagem, embalagem e rigorosa inspeção dos frascos de vacinas, o que garante que todas as doses liberadas tenham o mesmo padrão de qualidade.

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