Ir para conteúdo

[Artigo]
Cada vez mais brasileiros acreditam no aquecimento global e são favoráveis a medidas contra ele

Só conseguiremos resolver a questão se tivermos a sociedade como aliada, fazendo sua parte e cobrando medidas dos governos

Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção* | 11 fev 2021 – 5h30
O engenheiro químico Luiz Carlos Assumpção: ‘Estamos no caminho certo’ (Foto: Divulgação)

Uma pesquisa recente realizada pelo Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (Pnud), que teve os dados analisados e validados pelo Departamento de Sociologia da Universidade de Oxford, aponta um aumento na porcentagem da população que acredita no aquecimento global e é favorável a medidas públicas e emergenciais contra ele.

Foram entrevistadas 1,2 milhão de pessoas de 50 países, com o intuito de avaliar o nível de compreensão e apoio ao combate às mudanças climáticas. Segundo os autores, a maior pesquisa de percepção já feita a respeito do aquecimento global.

O Pnud é o órgão da Organização das Nações Unidas (ONU) que tem a função promover o desenvolvimento e erradicar a pobreza no mundo.

Dados relevantes dessa pesquisa são que aumenta o número de pessoas que defendem a proteção das florestas, principalmente nos países que mais emitem gases com mudanças de uso da terra. O desmatamento em países como Brasil, Índia, Equador, Indonésia e Argentina vem aumentando nos últimos anos, impulsionado pelo crescimento de áreas urbanas e pela industrialização.

No Brasil, por exemplo, 60% dos entrevistados apóiam a conservação das florestas e territórios naturais. Como já apresentado em um artigo anterior aqui do Paulínia 24 Horas Notícia, a principal causa de emissões dos gases do aquecimento global no país é o desmatamento. Muitas vezes associado à queimadas, promove não só o aumento da temperatura, mas também a qualidade de lençóis freáticos e águas subterrâneas.

Conforme levantado na época, embora não proibidas, as queimadas promovem poluição do ar atmosférico, através da liberação de gases tóxicos e fuligem, além da redução dos nutrientes presentes no solo. Mas infelizmente ainda é uma prática comum no Brasil, principalmente em áreas rurais.

O estudo do Pnud apontou também que 51% dos brasileiros apóiam mais investimentos em empresas e empregos sustentáveis, assim como no Reino Unido (73%), Alemanha (68%), África do Sul (65%), entre outros.

Entre as políticas abordadas pelo estudo, a conservação de florestas e de territórios naturais aparece como a medida contra as mudanças do clima mais apontada pelos os brasileiros.

No entanto, nos anos de 2019 e 2020, o que vivenciamos foram episódios de desmatamento na Amazônia e no Pantanal, áreas estratégicas para a manutenção do clima e da biodiversidade no país.

Segundo dados do Sistema de Estimativas de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Seeg), divulgado pela organização não-governamental Observatório do Clima (OC), as emissões de CO2 (principal gás do aquecimento global) por cada indivíduo brasileiro (10,4 toneladas) estão acima da média do planeta (7,1 toneladas). E isso é ruim. O Brasil está em sexto lugar entre maiores os emissores do mundo, que em 2019 representaram 2,17 bilhões toneladas de CO2 equivalente.

Apesar da mudança de percepção, ainda há um caminho longo a ser percorrido para que o Brasil reduza sua parcela no aquecimento global.

Entendo que a implantação de políticas públicas que favoreçam as tecnologias limpas e o aumento da fiscalização em áreas verdes, impedindo o desmatamento, deva ser o foco dos governos. Se conseguirmos atrelar ações efetivas com o apoio da sociedade em geral, aí sim teremos uma verdadeira mudança.

Outros números interessantes da pesquisa, que apontam que 57% dos brasileiros apóiam um aumento do uso de carros e ônibus elétricos ou bicicletas; 69% do público com menos de 18 anos acredita que estamos em uma emergência climática. (*Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção é engenheiro químico e consultor ambiental e de projetos)

Clique aqui para ver mais notícias de Paulínia
Advertisement

Ver tudo

Site de notícias criado para divulgar fatos jornalísticos da cidade de Paulínia.