Ir para conteúdo

[Artigo]
A logística reversa de pneus inservíveis: um case de sucesso da Política Nacional de Resíduos Sólidos

Produto tem tempo de decomposição no ambiente ainda desconhecido

Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção* | 28 jan 2021 – 5h30
O engenheiro químico Luiz Carlos Assumpção: ‘Mas, para chegar nesse cenário, muito teve que se caminhar’ (Foto: Divulgação)

OO segmento de produção de pneus no Brasil movimenta valores e números consideráveis, gerando empregos e renda, com uma rede de distribuição e pontos de venda espalhados por todo o País. Segundo dados da Associação Nacional da Indústria de Pneumáticos (Anip), em 2019 o setor empregava em torno de 150,5 mil pessoas, sendo 30,5 mil empregos diretos e 120 mil indiretos, totalizando mais de 4,5 mil pontos de venda.

O segmento de reposição e a revenda são os principais vetores de vendas, responsáveis por 59% das vendas totais, seguido pelas vendas para montadoras (21%) e exportações (20%) (dados da Anip, 2019).

No entanto, assim como outros setores da indústria, após o uso em suas aplicações finais, os pneus viram um resíduo que deve ser devidamente coletado, armazenado e destinado, visando reduzir os impactos ambientais relacionados a esse descarte.

O pneu tem um tempo de decomposição no ambiente ainda desconhecido, pois sua matéria-prima é a borracha vulcanizada, mais resistente que a borracha natural.

Quando queimados a céu aberto, geram enorme quantidades de material particulado e gases tóxicos, contaminando o meio ambiente e causando danos à saúde dos moradores do local.

Somado a isso, o pneu ocupa grande espaço em aterros e lixões, podendo servir de criadouro para insetos transmissores de doenças, especialmente o mosquito Aedes aegypti, vetor de doenças como a dengue, a zika e a chikungunya.

Se descartado em rios e lagoas, pode obstruir a passagem da água e facilitar o risco de enchentes e alagamentos.

Com a Política Nacional de Resíduos Sólidos ganharam força o gerenciamento de resíduos e a logística reversa, através da maior participação dos atores envolvidos na produção, distribuição, comercialização e destinação.

Através do artigo 33 da Lei no. 12.305 de 2010, a logística reversa ganhou corpo através da obrigação dos fabricantes de recolherem os resíduos gerados, através de pontos de coleta organizados pelo Poder Público.

Na verdade, a Resolução Conama nº 416/2009 já tornava obrigatória também a existência de pelo menos um ponto de coleta em cidades com mais de 100 mil habitantes. Além disso, os estabelecimentos de comercialização foram obrigados a receber e armazenar temporariamente os pneus usados entregues pelo consumidor no ato da troca por um pneu novo ou reformado.

Além disso, já definia metas em toneladas para a destinação adequada dos pneus inservíveis: a obrigação de recolhimento e destinação de um pneu inservível para cada pneu novo colocado no mercado de reposição, seja ele produzido no País ou importado.

Por fim, vale destacar a atuação da Reciclanip que, desde 1999, promove a logística reversa de pneus inservíveis como parte do Programa Nacional de Coleta e Destinação de Pneus Inservíveis implantado pela Anip.

Uma solução tecnológica encontrada para reduzir o impacto causado pelo descarte incorreto desse resíduo foi a utilização de metodologias de reciclagem e reaproveitamento. Entre elas, a recauchutagem que, seguindo as recomendações das normas para atividade, permite que o sejam adicionadas novas camadas de borracha nos pneus usados, aumentando a vida útil do pneu permitindo uma economia de energia e matéria-prima em relação à produção de pneus novos.

Ao mesmo tempo que trouxe avanços, a PNRS também trouxe alguns pontos que não ficaram muito claros, como a questão das fontes de recursos para custear as mudanças, linhas de financiamento, benefícios econômicos e fiscais para o setor de pneus.

Além disso, precisam ser mais bem detalhadas e discutidas questões como a efetivação da logística reversa, papéis na responsabilidade compartilhada e vantagens e benefícios dos acordos setoriais firmados.

O município de Paulínia, através do seu Plano Municipal de Gerenciamento de Resíduos Sólidos, de 2015, tem uma geração de pneus estimada de 47.462 pneus/ano. Segundo o site da Reciclanip, Paulínia tem um ponto de coleta de pneus inservíveis (Via Anhanguera, Km 109 – CEP: 13140-000, Contato: (19) 3874-9131).

O ponto de coleta é um local disponibilizado e administrado pela Prefeitura, para onde são levados os pneus recolhidos pelo serviço municipal de limpeza pública, ou aqueles levados diretamente por borracheiros, recauchutadores, descartados voluntariamente pelo munícipe, entre outros.

Por meio da parceria de convênio, a Reciclanip fica responsável por toda gestão da logística de retirada dos pneus inservíveis do Ponto de Coleta e pela destinação ambientalmente adequada deste material em empresas destinadoras licenciadas pelos órgãos ambientais competentes e homologados pelo Ibama. (*Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção é engenheiro químico e consultor ambiental e de projetos)

Clique aqui para ver mais notícias de Paulínia
Advertisement

Ver tudo

Site de notícias criado para divulgar fatos jornalísticos da cidade de Paulínia.