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[Artigo]
A questão ambiental no cenário pós-pandemia: as lições aprendidas

A pandemia nos trouxe uma nova realidade de consumo e de relação com o meio ambiente

Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção | 2 dez 2020 – 18h20
O engenheiro químico Luiz Carlos Assumpção: “Cabe a cada um de nós avaliar seus hábitos” (Foto: Divulgação)

Aquestão da pandemia, apesar de ter sido algo não imaginado por grande parte da população mundial, já era esperada por órgãos governamentais e entidades ligadas à saúde.

O Relatório “A World at Risk” (Um Mundo em Risco), elaborado pelo órgão independente Global Preparedness Monitoring Board – GPMB (Conselho de Monitoramento da Preparação Global), formado por 15 membros, entre líderes políticos, chefes de agências e especialistas de vários países, publicado em 22 de setembro de 2019, já apontava para o risco de pandemias globais de doenças graves como Ebola, influenza e a Síndrome Respiratória Aguda Grave (SARS).

Segundo esse Relatório, questões como conflitos prolongados, estados frágeis e migrações forçadas favorecem a rápida circulação de vírus letais em todo o mundo, bem como as mudanças climáticas, a crescente urbanização e a falta de água tratada e de saneamento básico.

Outro dado relevantes: segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), entre 2011 e 2018, ocorreram 1.483 eventos epidêmicos em 172 países, de doenças como Ebola, zika, SARS e febre amarela, que afetaram sistemas nacionais de saúde e principalmente comunidades mais pobres.

Zoólogos e infectologias no mundo indicam que mudanças no comportamento humano como, por exemplo, destruição de habitats naturais somado ao rápido movimento de pessoas no planeta – facilitou a transmissão de doenças antes nunca vistas em determinados locais.

Mas, o que podemos levar dessa pandemia?

A desaceleração da economia causada pela Covid-19 fez reduzir rapidamente a poluição do ar, medida através da concentração de dióxido de carbono. A China, por exemplo, reduziu cerca de 25% de suas emissões (que correspondem a 6% das emissões globais), de acordo com o site do Reino Unido Carbon Brief.

Passamos a gerar uma maior quantidade de resíduos orgânicos, já que muitos encontram-se em home office desde o início da pandemia. Os mais engajados instalaram inclusive composteiras em suas residências, reduzindo a quantidade de resíduos descartados e enviados para aterros sanitários.

Por outro lado, passamos a consumir mais produtos pelos e-commerces, gerando uma quantidade significativa de resíduos de materiais descartáveis (papelão, embalagens plásticas, isopor), que deveriam estar sendo direcionados para a reciclagem. Mas não é bem o cenário que encontramos: grande parte desses resíduos continua sendo enviada para os aterros e lixões, reduzindo a vida útil desses locais e aumentando o impacto ambiental.

A menor circulação de pessoas também permitiu que os animais se encorajassem e saíssem de seus ambientes naturais para buscar alimentos e desbravar novos locais. Em Paulínia, uma onça parda foi capturada pelo Corpo de Bombeiros dentro de uma chácara do Mini Pantanal de Paulínia. E esse episódio se repetiu em outros locais pelo Brasil.

Podemos perceber uma redução do ruído e uma melhora na qualidade de vida nas cidades ao longo da pandemia. Demonstração de que as mudanças nos hábitos de consumo, a redução do uso de combustíveis fósseis e uma nova dinâmica na produção de bens e serviços pode produzir resultados duradouros e benéficos para a humanidade e para o nosso planeta.

A relação entre a questão ambiental e o avanço de pandemias está clara: se não tivermos uma relação equilibrada e sustentável com o meio ambiente, teremos cada vez mais a migração de pessoas para áreas onde há uma qualidade de vida melhor, com acesso aos bens necessários para a sobrevivência. Assim, doenças nunca vistas em determinados locais, passarão a ser uma realidade.

A garantia de preservação dos ecossistemas também garante que espécies animais continuem vivendo naqueles locais, sem a necessidade de migrações para novos ecossistemas. Lembrando que muitos animais são hospedeiros de vírus que podem ser letais ao ser humano.

(*Luiz Carlos Assumpção é engenheiro químico e consultor ambiental e de projetos)

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