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[Pandemia]
Mulher morre de Covid-19 e total de óbitos sobe para 87 em Paulínia

Estudo clínico da vacina do Instituto Butantan chega à fase final; resultados serão analisados por comitê internacional e submetidos à Anvisa

23 nov 2020 – 15h10
Previsão é que 46 milhões de doses estejam disponíveis no Brasil até janeiro de 2021 (Foto: Agência Brasil)

APrefeitura confirmou no início da tarde desta segunda-feira (23) a morte de uma moradora de Paulínia em decorrência da Covid-19. Desde o início da pandemia, o município registra 87 óbitos pelo novo coronavírus. O total de contaminados chegou a 4.222. Mas, para o Ministério da Saúde, já é de 5.714. Cerca de 4 mil pessoas se recuperam da doença na cidade e outras 1.115 aguardam confirmação do diagnóstico.

Segundo o Comitê de Prevenção e Enfrentamento ao Coronavírus, a 87ª morte em Paulínia de Covid-19 se trata de uma mulher de 68 anos, com antecedentes de doença cardiovascular e diabetes mellitus. Iniciou os sintomas respiratórios no dia 18 de outubro e teve o diagnóstico laboratorial para a doença confirmado pelo exame de PCR no dia 27 passado. No dia 28 deu entrada no Hospital Municipal de Paulínia “Vereador Antônio Orlando Navaro”. Morreu no último dia 21.

Nesta segunda-feira, o governo de São Paulo e o Instituto Butantan confirmaram que o estudo clínico da Coronavac chegou à fase final e os resultados sairão já na primeira semana de dezembro. A previsão é que 46 milhões de doses estejam disponíveis no Brasil até janeiro de 2021.

Isso será possível porque o estudo clínico alcançou o patamar necessário para abertura da pesquisa e análise da eficácia da vacina. Até o momento, 74 voluntários se infectaram, número superior ao mínimo requerido para esta etapa, que previa ao menos 61 participantes contaminados.

Os resultados serão enviados pelo Comitê Internacional independente na primeira semana de dezembro para que a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) analise o relatório para verificação da vacina desenvolvida pelo Butantan em parceria internacional com a biofarmacêutica Sinovac Life Science.

“A celeridade do Instituto Butantan, também por essa expertise de produção consagrada de vacinas, pode permitir que a Coronavac seja a primeira disponível para nossa população. Só com a vacina viveremos o nosso normal”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Jean Gorinchteyn. “Até então, precisamos lembrar que estamos em quarentena e todo comportamento deve ser responsável, mantendo todas as regras sanitárias, distanciamento social e utilizando máscaras. Conclamamos as pessoas para colaborar com as medidas ao controle e combate da pandemia.”

Os testes no Brasil são coordenados desde julho pelo Butantan em 16 centros de pesquisa científica espalhados em sete estados brasileiros e no Distrito Federal. Na última semana, o primeiro lote com 120 mil doses chegou a São Paulo, tornando o Brasil o primeiro país da América Latina a receber uma vacina contra o novo coronavírus. A expectativa do governo do Estado é que o Butantan obtenha a aprovação da Anvisa ao imunizante até janeiro de 2021.

Até janeiro, o Butantan espera deter 46 milhões de doses da vacina. Como o processo de produção deste tipo de imunizante é bastante similar ao dos demais fabricados e desenvolvidos pelo instituto paulista, uma campanha de vacinação poderá começar tão logo a Coronavac seja registrada pela Anvisa.

“Estamos muito próximos de ter uma vacina disponível para o Programa Nacional de Imunizações. Esperamos que haja incorporação dessa vacina, que é mais uma do Butantan. Essas notícias colocam nossa vacina como a mais próxima de utilização aqui no Brasil”, disse Dimas Covas, diretor do Butantan. “Cada dia com vacina faz diferença. Estamos aqui pra dar celeridade nesse processo e esperamos cooperação tanto da Anvisa quanto do Ministério da Saúde porque isso aqui se trata de uma situação emergencial e de salvar vidas.”

No total, são 13 mil voluntários envolvidos nos estudos no Brasil. A pesquisa utiliza o modelo duplo cego, em que metade dos voluntários recebe doses de vacina, enquanto os demais um placebo sem eficiência contra a doença. Com a abertura do estudo, será possível identificar quantos voluntários contaminados estavam ou não protegidos pelo imunizante.

A vacina do Butantan é considerada uma das mais promissoras em comparação a outros imunizantes em fase de testes. Na última terça (17), os resultados da fase anterior de estudos clínicos da Coronavac foram publicados pela revista científica Lancet, uma das mais importantes do mundo. A publicação mostrou que a vacina é segura e tem capacidade de produzir resposta imune no organismo 28 dias após sua aplicação em 97% dos casos.

Farmacêutica britânica AstraZeneca terá 200 milhões de doses da vacina até o final deste ano (Foto: Agência Brasil)

A farmacêutica britânica AstraZeneca anunciou nesta segunda-feira (23) que sua potencial vacina contra o novo coronavírus pode ser em torno de 90% eficaz, sem nenhum efeito colateral grave, dando ao mundo mais uma ferramenta importante no combate à pandemia da Covid-19. A vacina, desenvolvida pela Universidade de Oxford, foi 90% eficaz na prevenção da doença quando administrada em meia dose e, pelo menos um mês depois, uma dose integral, de acordo com dados do estudo clínico em estágio avançado realizado no Reino Unido e no Brasil.

Nenhum efeito grave de segurança relacionado à vacina foi confirmado e ela foi bem tolerada em todos os regimes de doses, de acordo com os dados. “A eficácia e segurança dessa vacina confirmam que ela será altamente efetiva contra a Covid-19 e terá impacto imediato nesta emergência de saúde pública”, disse Pascal Soriet, presidente executivo da AstraZeneca, em comunicado.

A farmacêutica terá 200 milhões de doses da vacina até o final deste ano, com 700 milhões de doses prontas globalmente até o fim do primeiro trimestre de 2021, disse a executiva de operações da empresa, Pam Cheng, nesta segunda.

Dosagem

A eficácia da vacina dependeu da dosagem, e caiu para 62% quando aplicada em duas doses integrais em vez de meia dose na primeira inoculação. Os cientistas alertaram, no entanto, que esse fato não deve ser visto como indicação de que ela é menos útil do que as vacinas da Pfizer e da Moderna, que evitaram 95% dos casos, de acordo com dados preliminares dos testes em estágio avançado.

“Acho que é uma verdadeira tolice começar a tentar separar essas três (Pfizer/Moderna/Astra) com base em trechos de comunicados à imprensa sobre dados da Fase 3 (dos testes clínicos)”, disse Danny Altmann, professor de imunologia do Imperial College de Londres. “Para o cenário mais amplo, minha suspeita é que, no momento em que estivermos a um ano de agora, estaremos usando todas as três vacinas com cerca de 90% de proteção – e estaremos muito mais felizes.”

Vantagens

Cientistas também disseram que a vacina da AstraZeneca pode ter vantagens. “O importante, pelo que ouvimos, é que a vacina evita a infecção, não apenas a doença. Isso é importante, porque a vacina pode reduzir a disseminação dos vírus, assim como proteger os vulneráveis de uma doença grave”, disse Peter Horby, professor de saúde global e infecções emergentes na Universidade de Oxford.

A vacina da AstraZeneca também pode ser distribuída com maior felicidade porque pode ser mantida em temperatura de refrigerador, ao contrário dos imunizantes da Pfizer e da Moderna, que têm de ser armazenados congelados. Isso pode fazer a vacina da AstraZeneca mais fácil de transportar e de armazenar no mundo, particularmente em países mais pobres.

O Ministério da Saúde do Brasil tem acordo para compra de doses da potencial vacina da AstraZeneca, assim como para futura transferência de tecnologia e produção local do imunizante na Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz).

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