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[Pandemia]
Desinformação pode levar pessoas a rejeitarem vacinas contra Covid-19

É o que revela pesquisa divulgada em Londres; diretores da Anvisa e do Insituto Butantan explicam no Congresso Nacional vacina chinesa

13 nov 2020 – 19h39
Testes rápidos confirmaram 2.562 moradores de Paulínia infectados pelo o novo coronavírus (Foto: Divulgação)

Teorias conspiratórias e desinformação alimentam a desconfiança e poderiam deixar a inoculação com vacinas contra Covid-19 abaixo dos níveis necessários para proteger comunidades da doença nos Estados Unidos e no Reino Unido, revelou pesquisa divulgada nesta quinta-feira (12).

O estudo, com 8 mil voluntários nos dois países, mostrou que menor número de pessoas “certamente” receberia uma vacina contra a Covid-19 do que os 55% da população que cientistas estimam ser preciso para proporcionar a chamada “imunidade de rebanho”.

“Vacinas só funcionam se as pessoas as tomam. A desinformação atua sobre os receios e incertezas existentes a respeito de novas vacinas (contra Covid), além das novas plataformas que estão sendo usadas para desenvolvê-las”, disse Heidi Larson, professora da Escola de Higiene e de Medicina Tropical de Londres, que coliderou a pesquisa.

“Isso ameaça minar os níveis de aceitação de vacinas contra Covid-19”, acrescentou ela, que também é diretora da iniciativa internacional Vaccine Confidence Project. O estudo chega no momento em que um dos maiores esforços de criação de vacinas mostrou resultados promissores nesta semana.

Na segunda-feira, a Pfizer informou que sua vacina experimental contra a covid-19 tem eficácia de mais de 90% com base em dados provisórios de testes de estágio avançado. Os dados foram vistos como um passo crucial na luta para conter uma pandemia que já matou mais de 1 milhão de pessoas.

Nesta sexta-feira (13), em audiência pública na comissão mista do Congresso que acompanha as ações relativas à pandemia do novo coronavírus, o diretor-presidente da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), Antônio Barra Torres, explicou que incertezas e informações incompletas levaram a agência a suspender – por dois dias –, os estudos clínicos com a vacina Coronavac, feitos pelo Instituto Butantan, em parceria com o laboratório chinês Sinovac. A interrupção foi decidida pela Anvisa após notícias de que um voluntário dos testes da vacina teria morrido.

“Diante de informações incompletas – e os senhores vão constatar –, informações que passam longe do campo da certeza, outra atitude a não ser de imediatamente parar o processo sob risco de que outro cidadão testador fosse acometido do mesmo problema. Recairia sobre essas decisões, sobre esse corpo técnico, a culpa por qualquer outro evento adverso grave, que poderia ocorrer ao cabo de horas”, ressaltou Torres, acrescentando que a atitude foi tomada no momento certo pelo corpo técnico interno da Anvisa, que tem 18 especialistas.

Ao ser questionado sobre sua capacidade de estar à frente da Anvisa, Torres pediu que a credibilidade do corpo técnico da agência não fosse colocada em dúvida. “Se há alguma razão, se há alguma necessidade de que essas dúvidas pairem sobre a minha pessoa ou de qualquer outro diretor, que assim seja, mas não sobre o corpo técnico da agência, porque o corpo técnico continua. Os diretores passam. O corpo técnico continua. E essa decisão foi uma decisão técnica, reitero, já reconhecida pela autoridade máxima da saúde do estado de São Paulo, o secretário de Saúde do estado de São Paulo, que declarou à imprensa: motivos técnicos levaram à interrupção”, afirmou. Torres garantiu aos parlamentares que não há interferência política nas decisões da Anvisa e lembrou que nela “não há subordinados, mas organograma”.

O diretor-presidente do Instituto Butantan, Dimas Covas, também participou da audiência pública. Ele disse que, apesar da comunicação com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária ter ocorrido no prazo previsto, com todos os dados necessários, inclusive com a informação de que o óbito não tinha relação com o imunizante, soube pela imprensa que os estudos clínicos com a vacina Coronavac haviam sido suspensos pela Anvisa.

Apesar disso, Covas garantiu que a medida, que durou apenas dois dias, não chegou a atrapalhar a pesquisa no Brasil. “Os estudos prosseguem, quer dizer, essa interrupção temporária não teve nenhum efeito prático sobre a condução dos estudos e, na realidade, os efeitos maiores foram os efeitos políticos decorrentes da forma como isso aconteceu e do momento em que isso aconteceu”, observou.

Ao reforçar a confidencialidade dos dados dos voluntários, o diretor-presidente do Butantan garantiu que informações sobre a causa real da morte do paciente – suicídio – não partiram do laboratório, nem do centro de pesquisa, o Hospital das Clínicas de São Paulo, mas, sim, da imprensa. “Não houve relação da quebra da confidencialidade, nós sabemos da grande responsabilidade que todos nós temos na manutenção tanto da confidencialidade como da ética, da relação ética que nós temos com os candidatos vacinais”, garantiu.

Covas reafirmou que o Butantan é o maior interessado na segurança da vacina. “Temos que olhar a realidade com olhos da objetividade, do interesse público, e o Butantan é o maior interessado na segurança da vacina, é o maior interessado na segurança do instituto. Os centros clínicos são os maiores interessados e, obviamente, não deixaremos nenhum evento, nenhuma reação adversa que seja suficiente para interromper ou causar alguma dificuldade sem que haja esclarecimento. Nunca deixaremos sem esclarecimento adequado”, finalizou.

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