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[RMC]
Projeções apontam possibilidade de segunda onda da Covid-19

Número de casos cai durante 44ª Semana Epidemiológica; apesar disso, criação de plano de contingência expõe temor por novo avanço da pandemia

4 nov 2020 – 19h30
Número de mortes por Covid-19 da 44ª Semana Epidemiológica foi superior à semana anterior (Foto: Reprodução)

As projeções divulgadas no último boletim InfoGripe, que indicam uma probabilidade moderada de aumento das infecções por Covid-19 no Estado de São Paulo, contrastam com a realidade da Região Metropolitana de Campinas (RMC) nas últimas semanas. Segundo nota técnica publicada pelo Observatório PUC-Campinas, os 1,51 mil casos registrados na 44ª Semana Epidemiológica, correspondentes ao período de 25 a 31 de outubro, refletem diminuição de 11,48% em relação à semana anterior.

A situação na RMC no período analisado é a mesma para o Departamento Regional de Saúde de Campinas (DRS-Campinas), que inclui Paulínia e cuja variação de casos foi negativa em 7,31%. Contudo, o número de mortes se mostrou superior comparado à semana anterior: foram 46 na RMC (+ 6,97%) e 52 no DRS-Campinas (+ 4%). O município de Campinas, que manifesta o pior índice de mortalidade por 100 mil habitantes na região (112), teve queda de 15% nos óbitos, com 17 vítimas fatais da Covid-19 no período.

O infectologista André Giglio Bueno, professor da Faculdade de Medicina da PUC-Campinas, diz que as estatísticas, somadas à ocupação de leitos de UTI abaixo de 60%, seguem indicando uma tendência de desaceleração da pandemia na região. No entanto, o especialista cita as projeções pessimistas para algumas regiões do Estado, além da segunda onda da Covid-19 na Europa, para alertar a população em relação aos ricos ainda existentes de contágio.

“Devemos permanecer muito atentos e com máximo rigor na adesão às medidas de prevenção. Em uma atitude bastante prudente, a Prefeitura de Campinas divulgou recentemente que está em elaboração o plano de contingência do município para uma eventual segunda onda. O risco de ocorrência de aumento no número de casos de síndrome respiratória aguda nas próximas semanas é um indicativo de que devemos nos manter em alerta”, reforça o médico.

O temor das autoridades sanitárias pelo avanço da doença é compartilhado com trabalhadores e empresários, que continuam sentindo os impactos do novo coronavírus na economia. A nota técnica do Observatório PUC-Campinas mostra que todos os setores – Indústria, Serviços e Comércio – estão com resultados piores em relação ao ano passado. Além disso, os dados do mercado de trabalho indicam a dificuldade de consumo das famílias, sobretudo com o fim ou redução dos programas de transferência de renda, como o auxílio emergencial.

“De forma pragmática, a sustentabilidade da retomada econômica depende dessa capacidade de consumo das famílias, da política de gastos públicos e da recuperação da economia global”, frisa o economista Paulo Oliveira, que coordena as análises relativas à covid-19 no Observatório PUC-Campinas. Os dados atualizados da Covid-19 na RMC estão disponíveis no Painel Interativo do Observatório PUC-Campinas: https://observatorio.puc-campinas.edu.br/covid-19/.

O Observatório PUC-Campinas, lançado no dia 12 de junho de 2018, nasceu com o propósito de atender às três atividades-fim da universidade: a pesquisa, por meio da coleta e sistematização de dados socioeconômicos da Região Metropolitana de Campinas; o ensino, impactado pelos resultados obtidos, que são transformados em conteúdo disciplinar; e a extensão, que divide o conhecimento com a comunidade.

A plataforma, de modo simplificado, se destina à divulgação de estudos temáticos regionais e promove a discussão sobre o desenvolvimento econômico e social da RMC. As informações, que englobam indicadores sobre renda, trabalho, emprego, setores econômicos, educação, sustentabilidade e saúde, são de interesse da comunidade acadêmica, de gestores públicos e de todos os cidadãos.

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