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[Mão amiga]
Projeto de Paulínia ultrapassa fronteiras e chega à África com atendimento on-line

ASA, Amor, Superação, Autismo – que trabalha com crianças e jovens autistas – oferece ajuda especializada para família de Luanda, capital de Angola

28 out 2020 – 11h27
Durante a pandemia do novo coronavírus, os atendimentos são realizados por meio da internet (Foto: Divulgação)

Nestes tempos de confinamento em função da pandemia do novo coronavírus, o ASA, Amor, Superação, Autismo, um projeto de Paulínia que trabalha com crianças e jovens dentro do Transtorno do Espectro Autista (TEA) e suas famílias, teve que se reinventar para não interromper seus atendimentos. As atividades e treinamentos oferecidos aos pais que fazem parte do projeto continuam de forma on-line para ajudar na compreensão e identificação das características comportamentais dos filhos e, assim, criar estratégias de estimulação dentro de casa.

Através de lives nas redes sociais, onde os profissionais do ASA abordam assuntos relacionados ao dia a dia dos jovens com TEA, veio o pedido de ajuda de uma família de Luanda, capital de Angola, na África. Bráulio Bento, de 12 anos, tem TEA, epilepsia e estrabismo, entre outras comorbidades. “É um menino como todos de sua idade, que adora futebol, mas que tem uma série de limitações em função da sua condição e falta de acompanhamento”, diz a psicopedagoga Daniela Laubenstein, uma das responsáveis pelo projeto de Paulínia que começou sessões virtuais de terapia com ele e sua família.

“As dificuldades para fazer esse atendimento são enormes. A região onde Bráulio vive é muito carente e na casa dele não havia nem mesmo uma conexão razoável de internet, que nós providenciamos”, conta Daniela. “O local carece de profissionais especializados e, por isso, o seu diagnóstico ainda não foi fechado, mas, apesar disso tudo, a terapia está sendo realizada e virou um momento esperado não só por Bráulio, mas por sua família e os amigos da escola”.

A psicopedagoga ressalta, no entanto, que o ASA precisa de mais voluntários, já que o projeto se sustenta com os recursos das próprias famílias atendidas. “Esse caso do Bráulio nos mostrou os prejuízo causados pela falta de atendimento especializado. Se esse garoto tivesse acompanhamento precoce, a situação dele atualmente seria diferente”, ressalta a psicopedagoga. “Mostrou também a importância do trabalho do ASA e quanto é gratificante mudar o destino de crianças e jovens.”

Projeto

O ASA, Amor, Superação, Autismo é um projeto criado em Paulínia em outubro de 2019, a partir da união de mães com filhos dentro do TEA e profissionais que atuam com essas crianças e adolescentes. O ASA não só responde aos vários questionamentos sobre o assunto dos pais que utilizam os serviços da rede pública e privada, como também oferece instrumentos para ajudar no desenvolvimento de habilidades das pessoas com o transtorno.

O autismo é uma desordem neurobiológica de ordem genética que altera a forma como o cérebro funciona e afeta o desenvolvimento infantil. Seus sinais aparecem gradualmente com dificuldades na comunicação e interação social, movimentos repetitivos e interesses restritos. É comum o TEA estar associado a outras comorbidades como deficiência intelectual, déficit de atenção e hiperatividade. Como as características do transtorno se manifestam através do comportamento sem traços físicos aparentes é difícil para alguém que não convive com o TEA entender as limitações a que os autistas são submetidos pela sua condição. Situações cotidianas como aglomerações, sons ou iluminação podem trazer conforto ou serem gatilhos para as crises.

O ASA não tem sede própria e conta com a colaboração mensal das próprias famílias atendidas para realizar as atividades propostas, como treinamentos parentais, rodas de conversas e terapias de grupo com a participação especialmente das mães. O ASA promove também palestras, passeios e encontros entre crianças e jovens e atividades periódicas para a troca de experiências. Tudo isso está suspenso enquanto a durar a quarentena da Covid-19 e as atividades presenciais foram substituídas pelas virtuais com a participação direta dos pais.

Equipe

Participam da administração do Projeto ASA: Paula Porta, psicóloga, idealizadora do projeto e mãe de autista; Daniela Laubenstein, pedagoga de educação especial e psicopedagoga com experiência de 26 anos em TEA; Amanda Rezende, coordenadora e editora de redes sociais e mãe de autista.

Também colaboram com o ASA Alessandra Gusmão, redatora do projeto e mãe de autista; Eric Tomson, apoiador e pai de autista; Vanessa Vicentim, neuropsicóloga, 16 anos de experiência em TEA; Adalberto Rocha, artista plástico e designer, fornecedor e pai de autista; e Andréia Malachias, relações públicas.

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