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[Artigo]
Ondas de calor nunca vistas antes assolam o País

As mudanças climáticas estão cada vez mais evidentes

Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção* | 7 out 2020 – 11h30
O engenheiro químico Luiz Carlos Assumpção: ‘Não temos como negar as mudanças climáticas, cada vez mais evidentes. E o ser humano tem impacto direto sobre isso’ (Foto: Divulgação)

Nos últimos dias temos vivenciado no País um episódio de calor jamais registrado: temperaturas acima dos 40ºC nas regiões Sul, Centro-Oeste e Sudeste, com episódios pontuais de temperaturas acima dos 44ºC, como observado em cidades como Água Clara (MS), que registrou 44,4°C no dia 1º de outubro e Coxim (MS), que registrou 44,1°C no dia 30 de setembro, estando entre as dez temperaturas mais elevadas registradas pelo Instituto Nacional de Meteorologia (INMET).

Na região Sudeste, mais especificamente no estado de São Paulo, tivemos registros de temperaturas elevadas também: 37,1°C nos dias 30 de setembro e 1º de outubro na Capital paulista; 41,9°C no dia 30 de setembro em Lins; e 41,7°C também no dia 30 de setembro em Jales. A região de Campinas também teve recorde de temperatura registrado no mesmo dia 30, com 40°C.

As ondas de calor têm uma explicação meteorológica: uma massa de ar seco posicionada sobre a região central do País, e que deve permanecer até a segunda quinzena do mês de outubro, segundo previsões do INMET. Ela impede a chegada das frentes frias e outros eventos climáticos que poderiam trazer maior nebulosidade e ocorrência de chuvas, com consequente queda das temperaturas.

A umidade que vem do Norte não consegue chegar ao Centro-Sul do País. E toda essa situação se agrava ainda mais com o cenário das queimadas que temos acompanhado (inclusive foi tema do artigo publicado em 23 de setembro, aqui no portal Paulínia 24 Horas Notícia). O tempo seco e quente favorece a expansão dos focos de incêndio.

Estudos publicados pelo Centro de Emergências Climáticas (CGE) da Prefeitura de São Paulo apontam que o início da Primavera está ficando cada vez mais quente e menos chuvoso no Brasil. Estamos tendo Invernos suprimidos e ondas de calor, com vários dias seguidos de elevadas temperaturas, cada vez mais frequentes.

E não podemos negar a influência do homem nessa questão: estudos publicados recentemente pela ONG WWF apontam o avanço do desmatamento em biomas tão importantes para o País como a Amazônia, com redução de 20%, e o Cerrado, com redução de 50%, desde 1970.

A redução da área verde somada ao aumento das emissões de gases de efeito estufa tem levado a eventos extremos, como as tempestades e as ondas de calor que estamos vivenciando.

No dia 19 de setembro de 2020 foi inaugurada a contagem regressiva na fachada de um arranha-céu na ilha de Manhattan, em Nova York, Estados Unidos, que indica quando o mundo entrará em colapso, fazendo apologia ao momento no qual os efeitos do aquecimento global se tornariam irreversíveis. Também foi exibida no visor a frase: “A Terra tem um prazo”.

O relógio do clima, como ficou conhecido, exibia a sequência numérica “7:103:15:40:07”, que representa os anos, dias, horas, minutos e segundos até o prazo se encerrar, a partir daquele momento. Ou seja: temos 7 anos, 103 dias, 15 horas, 40 minutos e 7 segundos até essa fatídica marca ser alcançada.

E o que podemos fazer para mudar essa situação? Repensar nossos hábitos de consumo, plantar árvores e preservar áreas verdes, principalmente áreas próximas as nascentes de rios (garantindo o nosso abastecimento de água e das gerações futuras), evitar queimadas, dar preferência a produtos orgânicos, reduzir nossos impactos durante nossa passagem pela Terra. É difícil? Eu lhes digo que não.

Nesse momento da pandemia da Covid-19, estamos tendo que repensar nossos hábitos e maneiras de nos relacionarmos com o mundo. Por que não repensar também nossas interações com o meio ambiente que nos cerca?

Nesse ponto, pequenas ações valem muito. Talvez somente levar conhecimento àqueles que não têm acesso a informação e geram impactos sem saber já seja algo e tanto. Pensem nisso! (*Luiz Carlos Assumpção é engenheiro químico e consultor ambiental e de projetos)

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