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[Artigo]
Queimadas no Pantanal: quais os impactos no clima e ecossistemas do País?

Brasil vive crise ambiental sem igual; estamos deixando um legado para nossos filhos e netos que certamente trará consequências negativas

Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção* | 23 set 2020 – 9h30
O engenheiro químico Luiz Carlos Assumpção: queimadas agravam a situação de desmatamento (Foto: Divulgação)

Nas últimas semanas o povo brasileiro tem assistido estarrecido as imagens tristes e impactantes do Pantanal sendo consumido pelos incêndios florestais que atingem o Mato Grosso e o Mato Grosso do Sul.

Criminosas ou não, o certo é que o homem tem papel crucial no agravamento da situação, seja pela manutenção de práticas de queima para limpeza e preparo do solo antes do plantio, como também para a renovação da área de pastagem.

Embora não proibidas, as queimadas se mostram prejudiciais ao meio ambiente, principalmente pela poluição do ar atmosférico, através da liberação de gases tóxicos e fuligem, além da redução dos nutrientes presentes no solo.

A supressão vegetal favorece também o aumento da temperatura do solo e alteração do seu pH, podendo interferir também na qualidade de lençóis freáticos e águas subterrâneas.

As queimadas, quando não realizadas de maneira controlada, podem ganhar proporções gigantescas, deixando para trás um lastro de destruição da fauna e flora local.

Dados da National Aeronautics and Space Administration (Nasa) e do Sistema Copernicus do European Union’s Earth Observation Programme mostram que não é só o Pantanal que está sofrendo com as queimadas: os incêndios em Nova Gales do Sul (Austrália), no Ártico Siberiano e na costa oeste dos Estados Unidos são os maiores em 18 anos de dados de monitoramento.

No ano de 2019, segundo a WWF, as queimadas florestais representaram 3 a 4% do total de emissões de carbono do mundo e intensificaram ainda mais a crise climática que vivemos.

E aí vocês podem me perguntar: o que as queimadas do Pantanal têm a ver com o clima da nossa região? Quais os impactos no clima e ecossistemas do País?

E eu lhes digo: tudo! As queimadas agravam ainda mais a situação de desmatamento e destroem os rios aéreos, imensas massas de vapor de água que permitem que a umidade do litoral do Nordeste avance pelo interior do País, trocando umidade com as áreas de floresta na Amazônia e no Pantanal. A umidade presente nesses “rios” ao encontrar condições meteorológicas propícias (frentes frias, por exemplo), precipita na forma de chuva, auxiliando na manutenção do clima do Sul e Sudeste.

Além disso, os rios aéreos auxiliam na manutenção da cabeceira do Rio Amazonas nos Andes, através da precipitação. Esse ciclo hídrico, se mantido em perfeito funcionamento, garante a biodiversidade e o clima de várias regiões do País.

Mas o que estamos vendo hoje é uma degradação ambiental sem igual. Estamos deixando um legado para nossos filhos e netos que certamente trará consequências negativas. Sem essa umidade, iremos verificar em um futuro não tão distante a desertificação do Centro-Sul brasileiro, região que hoje é a segunda maior produtora agrícola do País, com destaque na produção de soja, leite, trigo, erva-mate, bovinos de corte e cevada.

O Centro-Sul possui vários ecossistemas diferentes, onde podemos destacar a Mata Atlântica, com alguns pequenos trechos preservados, que reservam espécies de animais e vegetais em risco de extinção.

Num curto prazo, o que estamos verificando é que as queimadas no Pantanal têm levado fumaça e fuligem para outras regiões do País, gerando situações de céu com colorações incomuns e eventos de chuva com coloração preta. Há relatos de situações ocorridas em cidades de São Paulo, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

Nós, como cidadãos, devemos agir de forma consciente, pois pequenas ações como a queima de restos de folhas e podas de árvores, pode causar impactos desastrosos. Devemos cobrir também que os órgãos competentes fiscalizem e, no caso de constatação de crime ambiental, que sejam tomadas as devidas sanções aos culpados. Devemos pensar que as gerações futuras merecem acesso aos bens e a um meio ambiente comum da mesma maneira que tivemos.

O município de Paulínia, através da Lei nº 3472, de 20 de outubro de 2015, que dispõe sobre os objetivos, diretrizes gerais e ações estratégicas das políticas públicas de defesa e desenvolvimento do meio ambiente, define a Secretaria de Defesa e Desenvolvimento do Meio Ambiente (Seddma) como órgão responsável pela fiscalização e licenciamento ambiental, além de legislar sobre as políticas ambientais do município. Denúncias de crimes ambientais podem ser feitas diretamente, através dos canais disponibilizados no site da Seddema, a saber: http://www.paulinia.sp.gov.br/secretarias?id=6&Titulo=Meio+Ambiente.

(*Luiz Carlos Fonte Nova de Assumpção é engenheiro químico e consultor ambiental e de projetos)

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