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[Pandemia]
RMC registra a primeira morte de criança pelo novo cororonavírus

Menina de 5 anos era de Campinas e tinha doenças preexistentes; nesta quinta, mais 10 óbitos foram adicionados às estatísticas das 20 cidades

4 jun 2020 – 20h52
O prefeito Jonas Donizette (PSB) durante a atualização das estatísticas em Campinas (Foto: Divulgação)

ARegião Metropolitana de Campinas (RMC) registrou nesta quinta-feira (4) a primeira morte de criança em decorrência da pandemia da Covid-19, doença respiratória causada pelo novo coronavírus. A menina morava em Campinas, tinha 5 anos e doenças anteriores. O total de óbitos em 16 das 20 cidades chegou a 191 e o número de  infectados passa de 4,3 mil. Os curados somam 3.091 no bloco regional.

Os dados da pandemia do novo coronavírus em Campinas foram atualizados na manhã desta quinta-feira em live do prefeito Jonas Donizette (PSB). O município registrou mais oito mortes pela doença, incluindo a de uma menina de 5 anos, a primeira de uma criança em toda a RMC. No total, foram divulgados até o momento 92 óbitos pela Covid-19 na cidade. Jonas expressou suas condolências a todas as pessoas em luto pelo falecimento de entes queridos pela doença. “Quero transmitir meus sentimentos a todos os familiares”, afirmou.

Em todo o estado, há outros 14 óbitos de crianças com Covid-19.Treze delas com comorbidades, conforme o secretário Municipal de Saúde, Carmino de Souza. “A criança que faleceu em Campinas tinha uma doença genética em investigação e um quadro renal que estava sendo cuidado. Esses foram elementos adicionais (para o falecimento), além da infecção com relação a Covid. Os mais vulneráveis são os que acabam adquirindo a Covid-19. Todas as mortes nos constrangem, mas a morte de uma criança nos entristece muito”, ressaltou.

As oito mortes a mais registradas nesta quinta-feira em Campinas se referem a:

  • homem de 72 anos, que tinha outras doenças, e faleceu no dia 23 de maio em hospital público, com exame feito no Instituto Adolfo Lutz;
  • mulher de 89 anos, que tinha outras doenças, e faleceu no dia 23 de maio, em hospital público, com exame feito no Instituto Adolfo Lutz;
  • homem de 72 anos, que tinha outras doenças, e faleceu no dia 31 de maio, em hospital público, com exame feito em laboratório privado;
  • mulher de 68 anos, sem doenças prévias, e que morreu no dia 31 de maio, em hospital público, com exame feito no Instituto Adolfo Lutz;
  • mulher de 33 anos, que tinha outras doenças, e morreu no dia 31 de maio, em hospital público, com exame feito no Instituto Adolfo Lutz;
  • mulher de 86 anos, que tinha outras doenças, e faleceu no dia 2 de junho em hospital privado, com exame feito em laboratório privado;
  • menina de 5 anos, que tinha comorbidades, e morreu no dia 2 de junho, em um hospital privado, com exame feito também em laboratório privado; e
  • homem de 70 anos, que tinha outras doenças, e morreu quarta-feira (3) em hospital privado, com exame feito em laboratório privado.

A Prefeitura de Campinas anunciou, durante transmissão ao vivo, a reabertura, com restrições, de comércio de rua, prestadores de serviços, shoppings, escritórios, igrejas e templos religiosos a partir de segunda-feira (8), por meio do programa “Volta Responsável”. “Os estabelecimentos devem reabrir com responsabilidade e segurança e seguir todas as normas sanitárias e os horários estipulados”, disse Jonas.

O comércio de rua, que inclui galerias e similares, poderá abrir das 12h às 16h, atendendo com 20% da capacidade. Os shoppings centers poderão funcionar das 16h às 20h, com 20% da capacidade. Mesmo dentro dos shoppings, ainda não poderão funcionar praças de alimentação, cinemas, teatros, academias, salões de beleza e serviços de valet.

Igrejas e templos poderão funcionar, com 20% da capacidade, por quatro horas, mas o horário poderá ser estipulado por cada um. Eventos religiosos, culturais e educativos, como escolas bíblicas ou festas juninas, por exemplo, estão vetados. Está proibida a participação de pessoas com mais de 60 anos e/ou com doenças crônicas.

Escritórios, como os de advocacia, contabilidade, imobiliárias, engenharia, arquitetura e turismo, por exemplo, podem funcionar por quatro horas seguidas e atender com 20% da capacidade. Segundo o secretário municipal de Assuntos Jurídicos, Peter Panutto, a partir do dia 15 de junho começa o atendimento ao público  dos serviços da Prefeitura como Porta Aberta e as unidades do Agiliza Campinas, também com 20% da capacidade.

Os estabelecimentos autorizados a retomar as atividades com público devem seguir todas as medidas sanitárias para garantir a higiene, evitar aglomeração de pessoas para combater a disseminação do coronavírus, como manter distância de, no mínimo, 1,5 metro entre as pessoas; disponibilizar álcool em gel; marcar o distanciamento no solo; exigir o uso de máscaras por funcionários e clientes e dispensar do trabalho in loco funcionários com possíveis sintomas, que tenham doenças crônicas e/ou mais de 60 anos.

Quem não cumprir as regras poderá ser multado em 400 Unidades Fiscais de Campinas (UFICs), o equivalente a R$ 1.446, 44. Em caso de reincidência, o valor da multa será dobrado. Na terceira autuação, o estabelecimento ficará fechado até o fim da quarentena. Os estabelecimentos devem emitir, gratuitamente, a Declaração de Estabelecimento Responsável, um certificado de responsabilidade que deve ser solicitado online, após inscrição e rápida capacitação, pelo portal da Prefeitura no https://ead-covid19.campinas.sp.gov.br/.

O prefeito de Campinas disse que até a sexta-feira da próxima semana (12) avaliará se a cidade terá condições de manter, ampliar ou recuar, caso necessário, da reabertura dos serviços. Durante a transmissão ao vivo, Jonas ressaltou que embora tenha sido publicado nesta quinta-feira o decreto que estabelece a volta gradual das atividades, o isolamento social não acabou. “Aqueles que podem, devem continuar a se resguardar”, afirmou.

Além de Campinas, confirmaram mais uma morte cada Itatiba, Jaguariúna e Americana, que verificou o falecimento de mais uma residente da casa de longa permanência para idosos. Ela tinha 81 anos, sofria de enfisema pulmonar e estava internada na UTI de um hospital particular do município desde o dia 22 de maio. Este é o quarto falecimento de idosos que moravam no mesmo asilo, onde também foram confirmados mais seis casos positivos da doença entre os idosos e três funcionários. Outros três residentes ainda aguardam resultados.

O estado de São Paulo chegou nesta quinta-feira a 8.561 mortes provocadas pelo novo coronavírus, segundo informação divulgada pelo governo do estado. O número de casos confirmados em todo o estado é 129.200. De acordo com a Secretaria de Saúde, há ainda 4.799 pessoas internadas em leitos de unidades de terapia intensiva (UTI) do estado com suspeita ou confirmação da Covid-19, além de 7.679 em enfermarias. A taxa de ocupação de leitos de UTI é de 71,4% no estado e 82,4% na Grande São Paulo – 23.664 se recuperam.

O estado de São Paulo faz, a cada dia, oito mil testes para diagnóstico do novo coronavírus, seja por RT-PCR, que identifica o material genético do vírus, seja pelo teste rápido, que identifica a presença de anticorpos do vírus no sangue. Em abril eram feitos mil exames por dia. A informação foi dada hoje (4) pelo diretor do Instituto Butantan e membro do Centro de Contingência do Coronavírus em São Paulo, Dimas Covas.

Segundo Covas, o estado está ampliando a capacidade de testes do novo coronavírus. Isso já teve início em meados do mês passado, quando começaram a ser testados policiais e seus familiares. Até este momento, de acordo com ele, foram testados cerca de 70 mil policiais e seus familiares. Desse total, 20% demonstraram ter tido contato com o vírus.

Nesta quinta, começa a ser testada a população da Fundação Casa, em suas 138 unidades do estado, com 4,8 mil internos. Também será iniciada a testagem de profissionais da saúde do Hospital das Clínicas (HC) na cidade de Ribeirão Preto e do Hospital das Clínicas de São Paulo. São 32 mil funcionários. Outro público que começou a ser testado são as pessoas que vivem nos 552 asilos do estado.

O governo paulista também pretende testar não somente a população carcerária, de asilos e das áreas de saúde e de segurança, mas também os doadores de sangue e todas as pessoas que apresentem sintomas leves de gripe. Até abril, o estado testava somente as pessoas que estavam internadas. “São Paulo é o estado do Brasil que mais testa e vai chegar ao nível de testagem de países como Itália e Espanha”, enfatizou Covas.

O balanço diário divulgado nesta quinta-feira pelo Ministério da Saúde trouxe 30.925 novas pessoas infectadas com o novo coronavírus, totalizando 614.941. O resultado marcou um acréscimo de 5% em relação à quarta, quando o número de pessoas infectadas estava em 584.016. A atualização registrou 1.473 novas mortes, chegando a 34.021. O resultado representou um aumento de 4,3% em relação à quarta, quando foram contabilizados 32.548 falecimentos pela Covid-19.

Do total de casos confirmados, 325.957 estão em acompanhamento e 254.963 foram recuperados. Há ainda 4.159 óbitos sendo analisados. São Paulo se mantém como epicentro da pandemia no País, concentrando o maior número de falecimentos (8.560). O estado é seguido pelo Rio de Janeiro (6.327), Ceará (3.813), Pará (3.416) e Pernambuco (3.134).

Em entrevista coletiva no Palácio do Planalto, o secretário substituto de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário, declarou que os casos no País seguem crescendo. “Estamos em um aumento semana após semana. Estimamos uma estabilização nos próximos meses. Por conta do período sazonal, diminui a transmissão respiratória no Norte e Nordeste. Não é possível prever quando será o pico”, pontuou.

Macário voltou a destacar, como em entrevistas anteriores, que há um desenvolvimento desigual da pandemia no País. Há mais intensidade nas regiões Norte e Nordeste e menos no Sul, Centro-Oeste e Sudeste, com exceção de São Paulo e Rio de Janeiro. Perguntado sobre a flexibilização das medidas de distanciamento e reabertura de comércio por diversos governos estaduais e prefeituras, Macário avaliou que as decisões “têm que ser adequadas e proporcionais ao risco”.

Um dos dados apresentados na entrevista desta quinta-feira pelos gestores do ministério foi o indicador chamado número de reprodução, que mede o ritmo de contágio (quantas pessoas são infectadas por um paciente contaminado). De acordo com o Ministério da Saúde, os estados com índices mais altos são o Acre (1,6 pessoas infectadas para cada paciente com covid-19); Goiás (1,6); Bahia (1,7) e Ceará (2,4). Todas as outras unidades federativas possuem números de reprodução que variam de 1,1 a 1,5.

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