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[Abra o olho]
Saiba como identificar notícias falsas sobre a pandemia do novo coronavírus

Compartilhar conteúdo enganoso pelas redes sociais pode prejudicar a saúde de muitas pessoas e comprometer ações de prevenção

2 abr 2020 – 11h18
Tão importante quanto combater as mensagens falsas é não compartilhá-las (Foto: Divulgação)

Assim que as primeiras informações sobre o novo coronavírus surgiram, uma infinidade de conteúdos enganosos veio à tona. Tudo compartilhado por meio de vídeos, áudios e imagens em redes sociais e aplicativos de mensagens, como WhatsApp e Telegram.

Muitas das mensagens falsas contêm orientações médicas equivocadas ou sem qualquer embasamento científico. Grande parte delas pode tanto prejudicar medidas de prevenção como causar danos graves à saúde.

Tão importante quanto combater notícias falsas é não compartilhá-las. Para isso, há orientações simples que ajudam a identificar conteúdo enganoso.

– Desconfie das informações
  • É comum conteúdos enganosos usarem tom emocional, atribuindo a mensagem falsa a uma pessoa de confiança como um parente, um vizinho ou amigo de um amigo. Elas também oferecem soluções milagrosas, como mensagens em texto e áudios que diziam que bebidas mornas ajudariam a “matar” o novo coronavírus. Esse tipo de estratégia é usada porque gera apelo emocional e faz com que muitas pessoas compartilhem sem se preocupar em saber a real origem daquela informação. Desconfie também de expressões como “não querem que você saiba disso”, “inacreditável”, “impressionante” e similares.
– Verifique as informações
  • Antes de compartilhar, verifique se aquelas informações foram divulgadas em outros sites ou veículos de informação, como páginas de órgãos oficiais ou veículos dedicados ao jornalismo profissional. Dizer que o texto foi escrito por “um(a) médico(a)” que trabalha num determinado hospital é insuficiente para tornar o conteúdo crível. Se houver citação a um nome, pesquise-o para confirmar se a pessoa existe e se realmente disse aquela informação. Os mesmos cuidados valem para conteúdos em áudio e vídeo.

– Observe se há erros e exageros

  • Outra característica frequente de notícias falsas são erros de gramática e ortografia, além do uso exagerado de exclamações, palavras com letras maiúsculas e recursos gráficos para chamar atenção. Alguns conteúdos chegam a usar imagens e endereços eletrônicos muito semelhantes aos de veículos reais para tentar enganar o público. Porém, uma leitura mais cuidadosa pode identificar artifícios como uma letra a mais no endereço do site ou uso de links maliciosos.
– Observe a data
  • Observe se o conteúdo faz referência clara às datas sobre o episódio narrado ou o momento em que a informação foi tornada pública. É comum o resgate de notícias antigas que, retiradas de contexto, provocam desinformação. O mesmo vale para fotos e vídeos. Quando receber conteúdos assim, uma rápida pesquisa na internet pode dizer se aquelas imagens ou episódios são recentes e estão contextualizados corretamente. No caso de conteúdos sobre o novo coronavírus, saber a data tem importância especial. Por tratar-se de um vírus descoberto recentemente, muitos estudos ainda estão em andamento e informações sobre os riscos e métodos de controle mudam constantemente.
– Consulte sites oficiais
  • Procure checar informações em sites oficiais que tratam do assunto. No caso de mensagens sobre novos medicamentos, receitas caseiras ou links com promessas de serviços ou entrega de materiais gratuitos (como oferta gratuita de álcool gel), tente verificar se a informação é confirmada em sites do governo do Estado, do Ministério da Saúde e da Organização Mundial da Saúde. Na dúvida, não clique em links desconhecidos, principalmente aqueles que prometem entrega gratuita de produtos ou serviços de transferência de recursos. Pessoas mal intencionadas aproveitam o momento para roubar seus dados e aplicar golpes virtuais.

Essas recomendações baseiam-se em orientações formuladas por iniciativas nacionais e internacionais dedicadas à checagem de informações e combate à desinformação, entre elas First Draft e Comprova, entre outros. Quando perceber que está diante de um conteúdo falso, informe a pessoa que repassou o material. Se possível, alerte a plataforma por onde recebeu que aquela mensagem, vídeo ou texto é falso.

É válido lembrar que quem produz e divulga informações enganosas fica sujeito a punições legais, em especial se o conteúdo ferir a honra de alguém. O governo de São Paulo criou e mantem uma equipe para desmentir parte desses conteúdos e também divulgar ações de combate à propagação do vírus e o avanço da doença. Veja o que já foi dado como falso:

– Vídeo sobre descarte de alimentos na Ceagesp

  • É mentiroso conteúdo divulgado em redes sociais que traz um vídeo com descarte de alimentos na Ceagesp (Companhia de Entrepostos e Armazéns Gerais de São Paulo), associando as imagens à epidemia do novo coronavírus. O vídeo, no entanto, registra fatos antigos, ocorridos durante as fortes chuvas que atingiram a capital paulista em fevereiro. Portanto, não há qualquer relação com o atual momento.
  • Em nota divulgada na sexta-feira (27), a Ceagesp afirma que entrepostos continuam funcionando normalmente e seguindo rigorosas medidas de higienização. “Os entrepostos continuam funcionando, recebendo e escoando mercadorias para que alimento não deixe de chegar na mesa dos brasileiros”, diz o texto. Denúncias de notícias falsas podem ser enviadas pelo email ceagesp@ceagesp.gov.br.
– Link para cadastro de auxílio emergencial
  • O governo alerta para mensagens falaciosas que pedem dados dos cidadãos em nome da administração do Estado. Nas redes sociais circulou o texto “Auxílio Emergencial 2020” pedindo para acessar um link e preencher um cadastro. Essa mensagem é falsa. O link é enganoso e pode fraudar dados dos cidadãos. O governo de São Paulo não usa esse tipo de método para fazer cadastro nem tampouco para liberar recursos. Todas as medidas adotadas para enfrentamento à epidemia do novo coronavírus são divulgadas nas redes sociais e nos canais oficiais. Este link reúne todas as medidas já anunciadas.

– Decreto para classificação de óbitos

  • Circula nas redes sociais e em aplicativos de mensagem informações equivocadas e enganosas sobre o processo de classificação de óbitos de pacientes infectados pelo novo coronavírus. O governo do Estado, por meio da Secretaria da Saúde, lembra que adota critérios técnicos e sanitários para fazer a confirmação dos casos e para o envio de dados ao Ministério da Saúde. Todos os decretos, resoluções e deliberações adotadas pelo governo como parte das ações de combate ao novo coronavírus estão disponíveis na página www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/quarentena. Os números de casos confirmados e óbitos podem ser acessados neste link.
  • A Secretaria esclarece ainda que os procedimentos para autópsia seguem a recomendação das autoridades nacionais e internacionais, como a Organização Mundial da Saúde, que, neste momento, orientam a não fazer autópsia em pacientes de Covid-19 em razão do alto risco epidemiológico de infecção dos profissionais envolvidos no manejo do corpo.
– Informação sobre restrições em rodovias de SP
  • São inverídicos os conteúdos em mensagem de áudio falando sobre bloqueios em rodovias paulistas para restringir a passagem de certos tipos de veículos. No Estado de São Paulo, todas as rodovias estão liberadas para todos os veículos. Além disso, no domingo (22), o Tribunal de Justiça de São Paulo suspendeu medidas liminares que impunham bloqueios parciais nas rodovias que dão acesso às principais cidades do Litoral Norte e Litoral Sul de São Paulo, entre elas a Rio-Santos, Tamoios e Oswaldo Cruz. Também como parte das ações do governo para garantir o abastecimento regular, o governo suspendeu por 90 dias a pesagem de caminhões nas rodovias estaduais sob concessão e nas administradas pelo Departamento de Estradas de Rodagem (DER).
– Alerta de profissionais de saúde
  • Mensagem encaminhada por aplicativos de celular diz, erroneamente, que profissionais da saúde orientam para uma proibição para pessoas saírem de casa. O que há é uma recomendação do governo do Estado, em especial para idosos, para ficar em casa. É diferente, no entanto, de uma ordem ou de uma proibição legal para que as pessoas não saiam às ruas. A recomendação de isolamento social, ou seja, para ficar em casa e sair somente em casos necessários, é considerada pelas autoridades de saúde o método mais eficaz neste momento para conter a propagação do novo coronavírus. O contágio ocorre pelo ar ou por contato pessoal e aglomerações favorecem a propagação. A fim de reduzir aglomerações, o governo tomou algumas medidas, como decretar quarentena de 15 dias (mantendo serviços essenciais), a suspensão de aulas e de eventos públicos.
– Corte de salários de servidores
  • O governo do Estado de São Paulo não adotou qualquer medida que altere a remuneração de servidores públicos ativos e inativos. Todos os decretos adotados pela administração do Estado, como parte das ações de combate e prevenção ao novo coronavírus, podem ser consultados nesta página www.saopaulo.sp.gov.br/coronavirus/quarentena. E as medidas adotadas pela gestão, no âmbito da Saúde e administrativo, estão neste link.

– Vacinação contra gripe por ordem alfabética

  • A campanha de vacinação contra a gripe, iniciada em todo o País nesta segunda-feira (23), é válida para todos os idosos acima de 60 anos. Além dos profissionais da saúde, idosos fazem parte do público alvo nesta primeira etapa da campanha. Em abril e em maio, a vacinação será ampliada para outros grupos. São falsas, portanto, as mensagens que dizem que a vacinação em São Paulo será dividida por ordem alfabética. Todos os que forem desses grupos podem se vacinar nesta primeira etapa. Em caso de dúvidas, procure o serviço de saúde da sua cidade. A Secretaria de Estado de Saúde, em parceria com os municípios, fez uma série de recomendações a fim de evitar aglomerações. A vacina contra a gripe não previne a Covid-19 (doença provocada pelo novo coronavírus), mas ela é fundamental para reduzir o número de pessoas com sintomas respiratórios nos próximos meses.
– Doação de álcool em gel pela Ambev
  • Material compartilhado nas redes sociais e por celular com o título “Ambev – Retire seu álcool gel” é falso. O link usado na mensagem não tem relação com a empresa nem tampouco foi compartilhado por ela. A imagem compartilhada ainda escreve de forma errada o nome do produto. A forma correta é “álcool em gel”. Erros ortográficos e gramaticais grosseiros são alguns dos indícios de que mensagens são falsas. Por meio de nota, a Ambev afirma que essa mensagem é mentirosa e adverte que pessoas mal-intencionadas estão usando a pandemia de Covid-19 para aplicar golpes cibernéticos. “A Ambev esclarece que a produção de álcool em gel que está produzindo será doado para hospitais públicos municipais de SP, RJ e BSB, locais onde há mais casos da doença no momento”, diz a nota da empresa.

– Ingerir bebidas mornas contra Covid-19

  • Áudio de um homem que recomenda métodos de prevenção à COVID-19, como ingerir chás e sopas, traz conteúdo errado e falso. Até o momento não há remédios específicos nem vacina contra a doença causada pelo novo coronavírus. “A temperatura do corpo humano é de pelo menos 36°C, assim, beber água a uma temperatura de 26 a 27 °C não traz benefício algum em relação à prevenção ou eliminação do Coronavírus (Covid-19), uma vez que no corpo humano o vírus tolera temperatura de pelo menos 36°C”, esclarece nota divulgada pelo Ministério da Saúde.
  • As recomendações de prevenção, da Secretaria da Saúde e do Ministério da Saúde, são, por exemplo:

– lavar as mãos com frequência, com água e sabão, ou higienizá-las com álcool em gel 70%

– ao espirrar, cobrir a boca e o nariz com um lenço descartável;

– evitar contato com pessoas doentes ou com sintomas de gripe e resfriado;

– evitar aglomerações;

– não compartilhar objetos de uso pessoal;

– ficar em casa em caso de sintomas (até que os sintomas desapareçam) e, principalmente, se for pessoa idosa com mais de 60 anos.

  • Cura da Covid-19 com hidroxicloroquina. Pesquisas estão em andamento

Ainda não é possível afirmar que hidroxicloroquina e cloroquina sejam eficazes para tratamento da Covid-19. Até o momento, não há remédio nem vacina efetivos para a doença. A automedicação não é recomendada em nenhuma hipótese. Todo e qualquer tratamento deve ser indicado por um médico. Pesquisadores de São Paulo e de diversos locais do Brasil e do mundo estão dedicados a pesquisas para desenvolvimento de vacinas e medicamentos. Por meio de nota, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) afirma que não há estudos conclusivos sobre o uso de hidroxicloroquina para o tratamento da Covid-19, que ainda estão andamento. “Ou seja, não há recomendação da Anvisa, no momento, para a sua utilização em pacientes infectados ou mesmo como forma de prevenção à contaminação pelo novo coronavírus”, diz o texto.

– Suspensão de aposentadoria
  • É mentiroso material que circulou sobre uma Medida Provisória do governo federal que iria suspender a aposentadoria de pessoas acima de 60 anos que saírem às ruas durante a pandemia de coronavírus. Não há qualquer tipo de medida nesse sentido. O número da Medida Provisória citada, nº 922, data de 28 de fevereiro de 2020 (e pode ser acessada por meio deste link) e trata de assuntos econômicos, sem qualquer relação com idosos nem tampouco com o novo coronavírus. O Ministério da Economia também se manifestou para negar a existência dessa medida. Em relação aos idosos a partir de 60 anos, a única recomendação das autoridades de Saúde é para que fiquem em casa, já que eles fazem parte do grupo mais vulnerável ao novo coronavírus.
– Gargarejo com água morna para eliminar coronavírus
  • Circulou por aplicativos de mensagem um texto atribuindo à Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) uma série de supostas medidas que seriam eficazes no combate ao coronavírus, como Gargarejar com água morna ou salgada ou que expor o vírus a altas temperaturas podem matá-lo. Todas essas informações são falsas e sem qualquer evidência científica. Por meio de nota, a Fiocruz reforça a importância de compartilhar informações de fontes confiáveis e seguras. No Portal Fiocruz é possível encontrar notícias e orientações sobre a Covid-19 e sobre o vírus: fiocruz.br/coronavirus.
– Vacina para cachorro combate novo coronavírus
  • Material compartilhado em aplicativos de celular e em redes sociais nos últimos dias tem conteúdo falso a respeito do uso de vacinas para cães como suposta forma de tratamento da Covid-19, doença provocada pelo novo coronavírus. O material falso faz referência ao coronaviridae (coronavírus), que é uma grande família viral antiga, que afeta humanos e animais com graves infecções. As vacinas V8 e V10, as quais o material cita, são as principais para a saúde de cães e agem no combate de várias doenças, como cinomose e coronavírus canino da espécie CCov (gênero alphacoronavirus), vírus que causa gastroenterite (sintomas de diarreia e vômitos constantes), podendo levar a óbito. Os cães contraem a doença por meio de fezes de outros cães contaminados, não sendo transmissível a humanos.
  • Já a Covid-19 é provocada pelo novo coronavírus, que é do gênero betacoronavírus, espécie SARS-Cov2, com morbidade e alta taxa de propagação. Outras espécies que são transmissíveis aos humanos são a SARS-CoV e MERS-CoV e não há registro de contaminação em animais. Esses vírus estão associados a síndromes e infecções respiratórias. Portanto, aquelas vacinas indicadas para o tratamento de animais não têm eficácia para o novo coronavírus e não podem ser usadas em humanos.
– Serviço de testagem em casa
  • Imagens compartilhadas por aplicativos de mensagem divulgam, erroneamente, informações de que serviços municipais e estaduais fazem teste para Covid-19 em casa. Os números fazem referência a serviços de Vigilância de Salvador (BA), que por meio de nota explicou que a informação é falsa. Em São Paulo, também não existe serviço semelhante. A recomendação em casos de sintomas como febre, dificuldade respiratória ou tosse seca é procurar um serviço de saúde. O profissional responsável adotará as medidas indicadas e, de acordo com os protocolos estabelecidos pelo Ministério da Saúde, realizará os testes quando houver necessidade.
– Campanha de arrecadação em nome do governo
  • O governo do Estado de São Paulo não promove nenhum tipo de arrecadação financeira ou “vaquinha virtual” para o combate ao novo coronavírus, nem tampouco autoriza terceiros a usar o nome do governo para esse tipo de finalidade. A administração estadual tem adotado uma série de medidas para conter os avanços da Covid-19, que podem ser acompanhadas por meio deste link e diariamente nos canais oficiais do governo.
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