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[Unicamp]
Pesquisadores desenvolvem repelente para tecidos e superfícies

Tecnologia disponível para licenciamento conta com a liberação mais lenta do composto, o que garante uma proteção prolongada

21 ago 2019 – 5h30
Repelente pode ser aplicado até em paredes e tem uma proteção prolongada de até 12 horas (Foto: Divulgação)

Além da prevenção ao surgimento da larva do Aedes aegypti, responsável pela transmissão de doenças como dengue, zika vírus, chikungunya e febre amarela, o uso do repelente também é um mecanismo importante de proteção. Com isso, pesquisadores da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) desenvolveram uma tecnologia que age como repelente para ser utilizada em roupas, tecidos e superfícies como paredes.

A tecnologia, disponível para licenciamento, utiliza o mesmo tipo de repelente já existente no mercado, mas com liberação mais lenta, o que garante uma proteção prolongada.

“O diferencial é que, por meio de técnicas de laboratório, como polimerização em miniemulsão, conseguimos imobilizar o repelente DEET para que ele se evapore mais lentamente, já que um dos problemas dos produtos convencionais é que o composto se evapora rapidamente ou é absorvido pela pele, necessitando aplicações frequentes”, explicou Liliane Ferrareso Lona, professora da Faculdade de Engenharia Química (FEQ) e responsável pela tecnologia.

“Ao ser aplicado sobre superfícies, incluindo tecidos, consegue-se uma liberação sustentada da substância para o ar por até doze horas”, acrescentou a docente. Em outras palavras, a tecnologia possibilita a encapsulação do DEET, já conhecido como um repelente eficaz de insetos, em partículas nanométricas de polímero.

“A restrição da evaporação dos compostos repelentes é possível com a introdução de uma barreira física entre eles e o ar. A encapsulação dessas substâncias e o uso como repelentes ambientais em tintas ou em impregnação de tecidos surgem como uma alternativa promissora que permite prolongar o efeito repelente dos compostos por meio da liberação sustentada”, revelou Guilherme Martinate Gomes, aluno de pós-graduação e também responsável pela patente.

De acordo com os pesquisadores, um dos pontos altos da tecnologia é o fato de poder ser utilizado por crianças ou recém-nascidos, excluindo a necessidade de uso do repelente diretamente na pele. Mesmo que substâncias repelentes sejam eficazes com aplicação na pele em forma de loção, o uso é restrito e não há ação prolongada.

Vantagem

“Isso seria vantajoso no caso de alergias, ou para proteção de bebês, por exemplo, já que existem estudos que relacionam o DEET aplicado diretamente sobre a pele a doenças neurológicas”, afirmou a professora. “O uso de repelentes de insetos é uma medida preventiva fundamental para que a transmissão de doenças como a dengue, malária e chikungunya seja evitada”, completou Gomes.

Apesar da chegada dos meses mais frios do ano, várias regiões brasileiras têm notificado um aumento significativo nos casos de dengue. Cidades do Paraná e Bahia, por exemplo, já registram uma epidemia da doença que é causada pelo Aedes aegypti. Paulínia também viveu um surto da doença e já registrou uma morte neste ano.

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