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[Ação]
Inquérito de crime contra organização trabalhista levou Carioca à prisão

Ex-secretário de Paulínia e Adriano Luiz de França são acusados de coagir terceirizadas da Replan para contratar só indicados pelos dois

15 maio 2019 – 19h33
Viatura do Garra em frente da entrada de funcionários do Paço Municipal (Foto: Divulgação)

Um inquérito policial que apura crime contra organização trabalhista envolvendo cooperativas de Paulínia e Cosmópolis é o motivo da prisão do ex-secretário de Desenvolvimento Econômico de Paulínia, Elizaman de Jesus Lopes, o Carioca. Ele foi capturado durante a operação “Curriculum Vitae” do Ministério Público e da Polícia Civil de Paulínia para cumprimento de mandados de prisão e de busca e apreensão, na tarde desta quarta-feira (15), em Paulínia e Cosmópolis.

Delegado-adjunto de Paulínia, Carlos Renato de Melo Ribeiro, na operação em Cosmópolis (Foto: Reprodução)

Segundo o delegado-adjunto de Paulínia, Carlos Renato de Melo Ribeiro, que comandou a operação em Cosmópolis, Adriano Luiz de França, que também teve prisão temporária decretada, fugiu e uma terceira pessoa foi detida, acusada de passar informações que permitiram a fuga do investigado em Cosmópolis. Em Paulínia, só Carioca teria sido preso, além de documentos apreendidos na sede da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Econômico.

O delegado Ribeiro informou que as cooperativas ligadas a Adriano, em Cosmópolis, e a Carioca, em Paulínia, coagiam as empresas terceirizadas que prestam serviços na Replan, refinaria da Petrobras na cidade, para que contratassem os indicados pelos dois. “Aí eles fazem o fichamento desse monte de coitados e enfiam (as fichas) na cozinha, gaveta e no lixo”, explicou. “Aferi isso. Só indicam quem eles querem.”

Policiais do Garra impedem entrada e saída da Secretaria Desenvolvimento Econômico (Foto: Divulgação)

Segundo o Ministério Público, de acordo com relatos constantes em processo, Carioca e França também estariam impedindo trabalhadores de adentrar na Replan, a fim de realizar protestos em frente ao local, a pretexto de obrigar a realização de contratação de pessoas indicadas por eles, em especial, moradores de Paulínia. Os investigados teriam ligação com atividade sindical.

Conforme o MP, os trabalhadores foram ameaçados pelo grupo liderado pelos investigados, especialmente por França, que disse, em tom de ameaça de retaliação, que estava filmando as pessoas que entrariam para trabalhar. Além dos investigados, outras pessoas estariam envolvidas com os crimes. “Há relatos de que os investigados se apresentam como pessoas da cúpula de Paulínia, como modo de demonstrar o poder que detêm como modo de ameaçar e de amedrontar”, informou o MP.

Delegado titular de Paulínia, Rodrigo Galazzo, explica a participação de Carioca no esquema (Foto: Divulgação)

Em Paulínia, duas viaturas na entrada de funcionários do Paço Municipal chamaram a atenção das pessoas que passaram por lá no início da tarde desta quarta. Enquanto autoridades faziam buscas e apreensões na Secretaria de Desenvolvimento Econômico, policias do Grupo Armado de Repressão a Roubos e Assaltos (Garra) ficaram na porta para garantir que ninguém entrasse ou saísse. “Os dois (Carioca e Adriano) trabalhavam juntos”, disse Ribeiro.

Conforme o delegado adjunto de Paulínia, as cooperativas não tinha representatividade: “Representatividade nenhuma, sindical nem nada”, afirmou Ribeiro. “Aí traziam cesta básica para ajudar quem não conseguiu colocação e o pessoal ficava achando que eles eram bonzinhos.”

Participação

O delegado titular de Paulínia, Rodrigo Galazzo, explicou que a prisão de Carioca e a apreensão de documentos na Secretaria de Desenvolvimento Econômico de Paulínia ocorreram para a polícia identificar qual é a participação do ex-secretário no esquema, como utilizava o cargo e como interferia em relação às empresas “que perdiam a sua liberdade, em tese, para contratar direto com a Petrobras”.

Como secretário municipal de Desenvolvimento Econômico, Carioca era responsável pelo “Emprega Paulínia”, programa da Prefeitura de recolocação profissional voltado somente para desempregados da cidade. Em quase quatro meses no cargo, cerca de mil pessoas teriam sido reinseridas no mercado de trabalho por meio do “Emprega Paulínia”, segundo balanço do próprio secretário, do último dia 7.

Exoneração

Logo após a prisão de Carioca, a Prefeitura de Paulínia esclareceu por meio de nota que estava tomando conhecimento das acusações e prometeu abrir sindicância para apurar o caso. Afirmou ainda que colabora com as apurações da Polícia Civil e Ministério Público, “além de estar disponível para esclarecer quaisquer questionamentos, sobre o assunto, para as autoridades competentes”.

A Prefeitura também informou que afastou Carioca do cargo de secretário de Desenvolvimento Econômico, “na tarde desta quarta-feira (15), até que o assunto seja devidamente solucionado.” Carioca foi nomeado para o primeiro escalão do Paço Municipal pelo prefeito interino Loira (DC), no último dia 25 de janeiro, três dias depois de o democrata cristão assumir provisoriamente a principal cadeira do “Palácio Cidade Feliz”.

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