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[Meio ambiente]
Paulínia lidera emissão de gases de efeito estufa na RMC

Conclusão é de estudo conduzido pela Prefeitura de Campinas e apresentado nesta sexta-feira; inventário é ponto de partida para ações

10 maio 2019 – 17h49
Evento que divulgou os resultados do Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa (Foto: Divulgação)

De todos os gases de efeito estufa (GEE) lançados na Região Metropolitana de Campinas (MC), o município de Paulínia (devido ao polo petroquímico) foi responsável pela maior emissão de poluentes na atmosfera (38,5%). Este é um dos resultados apurados pelo Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e de Poluentes Atmosféricos da Região Metropolitana de Campinas, estudo conduzido pela Prefeitura de Campinas e que foi apresentado pelo prefeito Jonas Donizette (PSB) na manhã desta sexta-feira (10).

Segundo o inventário, logo depois de Paulínia vem Campinas com a emissão de 23,3% de todos os gases de efeito estufa lançados na RMC em 2016, ano base da pesquisa. Cerca de 60% das emissões de poluentes da cidade campineira têm a frota de veículos como fonte geradora. A cidade representa 42% da frota total da região metropolitana, com mais de 1,2 milhão de veículos. Os setores de geração de energia estacionária, transportes e resíduos são os responsáveis pela emissão de 90% de gases de efeito estufa na RMC.

Ao todo, a RMC emitiu 11.218 milhões de toneladas de GEE, o que a caracteriza como uma região de perfil urbano. O inventário foi conduzido, durante o ano de 2018, pela empresa Waycarbon com a participação do ICLEI (Governos Locais pela Sustentabilidade) e teve apoio das prefeituras das demais 19 cidades da RMC. O estudo foi pago pelo Fundo de Recuperação, Manutenção e Preservação do Meio Ambiente (Proamb) de Campinas, sob responsabilidade da Secretaria Municipal do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável.

As emissões dos gases de efeito estufa são responsáveis por intensificar o fenômeno da mudança do clima global, que pode ocasionar impactos relacionados à crise hídrica, perdas na agricultura, aumento de suscetibilidade a doenças tropicais e podem prejudicar a qualidade de vida da população. Já os poluentes atmosféricos, quando encontrados em altas concentrações na atmosfera, podem desencadear problemas de saúde e causar impactos ao meio ambiente e na infraestrutura urbana.

Setores

De acordo com o estudo, o setor que mais polui na RMC é o de energia estacionária, ou seja, aquele que usa a queima de combustíveis fósseis para a geração de energia, com 42,7% das emissões totais na região. São exemplos deste segmento o consumo de energia elétrica e consumo de combustíveis em residências, comércios, instituições, indústrias e áreas rurais; produção de energia e abastecimento de rede; indústrias de geração de energia do polo petroquímico de Paulínia, que inclui especialmente a refinaria Replan.

Em segundo lugar está o setor de transportes (terrestre, ferroviário e aéreo), com 41,7% das emissões e, em terceiro, o setor de resíduos (disposição final ou tratamento dos resíduos sólidos, incineração dos resíduos da saúde), com 9% das emissões. Esses setores somados são responsáveis por mais de 90% das emissões da RMC. O prefeito Jonas ressaltou a importância de todos as cidades da região terem participado da capacitação técnica para o processo. “O ar que respiramos não tem fronteiras e, agora, temos o ponto de partida para a tomada de decisões comprometidas com a questão das mudanças climáticas”, disse o prefeito.

Ação

Conforme o secretário do Verde, Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável de Campinas, Rogério Menezes, com os resultados em mãos, tem início a segunda etapa do projeto, que é detalhar planos de ação e elaborar projetos de lei para medidas que deverão ser implantadas na região. “O inventário nos fornece uma linha de base para acompanhar a evolução das emissões ao longo dos anos, monitorar suas fontes e, assim, auxiliar na formação de políticas públicas mais efetivas para mitigação dos impactos das mudanças climáticas na região.”

Além do cálculo de emissões, o projeto também teve como objetivo engajar os agentes locais na construção de metas e planos de ação ao enfrentamento das mudanças climáticas. Em termos do Plano de Ação, foi definida que a RMC deve reduzir suas emissões em 31,6% até 2060. Para a assessora técnica de Projetos do ICLEI América do Sul, Iris Coluna, deve-se elaborar uma política regional de enfrentamento à mudança do clima para atingir a meta traçada. “Sugerimos também a criação de uma Câmara Temática de Mudança do Clima e Resiliência dentro da AGEMCAMP, já aproveitando a estrutura que existe, além de um Comitê/ Fórum regional para articular importantes atores, deliberar e dar encaminhamentos sobre o enfrentamento a mudança do clima na região”, complementou.

O que fazer

Segundo especialistas, entre as maneiras de reduzir as emissões dos gases de efeito estufa estão diminuir o desmatamento, investir no reflorestamento e na conservação de áreas naturais, incentivar o uso de energias renováveis não convencionais, reduzir o consumo de energia, primar pela eficiência energética, praticar a política dos 3r’s (reduzir, reaproveitar e reciclar materiais), empregar tecnologias de baixo carbono, melhorar o transporte público com baixa emissão de gases de efeito estufa.

O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e de Poluentes Atmosféricos da Região Metropolitana de Campinas está disponível aqui.

Histórico

O Inventário de Emissões de Gases de Efeito Estufa e o Plano de Ação de Enfrentamento à Mudança do Clima são o resultado de um longo processo que começou em 2015, quando Campinas se associou à rede ICLEI. No mesmo ano, foi lançado o protocolo de intenções para a elaboração do inventário e do plano celebrado entre Campinas e os demais municípios da Região Metropolitana.

Em 2016, foi lançado o Projeto Básico, documento norteador para a contratação com diretrizes e exigências; e, em 2017, aconteceu a contratação da WayCarbon e subcontratação do ICLEI para a elaboração do inventário. Em 2018, foram iniciadas as atividades e foram realizados seminários, capacitações, oficinas (para a elaboração do Plano de Ação) assim como uma consulta pública com os resultados do inventário.

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