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[ONU]
Dois de abril é o dia mundial de conscientização do autismo

Será que toda criança segue o mesmo padrão? Conheça os mitos e as verdades sobre Transtorno do Espectro Autista (TEA)

02 abr 2019 – 5h30
Instituto SER – clínica escola com 30 anos de experiência no tratamento de pessoas com autismo (Foto: Divulgação)

Esta terça-feira (2) é o Dia Mundial do Autismo, criado pela Organização das Nações Unidas (ONU), em dezembro de 2007, para ampliar as discussões sobre o tema. Também durante todo o mês ocorre a campanha “Abril Azul” de conscientização do Transtorno do Espectro Autista (TEA).

A cor azul é a escolhida para ilustrar a campanha de conscientização do autismo porque o TEA acomete quatro vezes mais as pessoas do sexo masculino do que o feminino, de acordo com estatísticas do Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC), dos Estados Unidos.

E é nesse contexto, apesar do aumento dos estudos científicos, que, infelizmente, ainda se disseminam muitas ‘fakenews’ sobre o tema. O primeiro grande erro é afirmar que o TEA é uma doença, quando na verdade, o próprio nome já diz: trata-se de um transtorno.

Que o TEA não tem cura é verdade. Mas há tratamento e controle, possibilitando que as pessoas com autismo possam ser alfabetizadas, frequentar locais públicos, praticar esportes, desenvolver habilidades artísticas, convivência e afetividade.

Estereótipos

A psicóloga Fátima Iara Abad Sanchez, que atua na equipe transdisciplinar do Instituto SER – clínica escola com 30 anos de experiência no tratamento de pessoas com autismo –, revela que apesar das campanhas de conscientização terem aumentado ao longo dos anos, ainda há muito que se esclarecer sobre o transtorno.

Segundo Fátima, é preciso quebrar a ideia de que haja um manual para todas as pessoas que possuem o TEA. “Não é todo autista que é agressivo, que não fala ou é superdotado”, revela. “Todos os estereótipos criados caem por terra quando trabalhamos a singularidade de cada um, respeitando o seu histórico de vida e suas características próprias.”

Vacinação

Fátima, que é mestre em Saúde da Criança e do Adolescente pela Unicamp e terapeuta de família e de comunidade, alerta que, atualmente, o TEA pode ser diagnosticado ainda nos primeiros meses de vida e, em seguida, o tratamento já deve ser iniciado.

A psicóloga conta que um outro grande mito existente é a campanha de não vacinação das crianças. “Muita gente acredita que as vacinas podem causar o autismo, o que não é verdade”, alerta. “Assim, temos pais de autistas que não querem vacinar seus filhos, causando problemas ainda mais graves, deixando essas crianças vulneráveis e doentes.”

Espectro

Os índices de crianças com TEA vêm aumentando a cada ano em virtude do diagnóstico correto e também porque o DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais – 2013) acabou com as subdivisões de doenças para classificar essas crianças e criou o termo Transtorno do Espectro Autista, englobando os diferentes níveis de funcionamento desde os quadros mais leves, passando pelos moderados aos graves.

De modo geral, o transtorno se caracteriza por alterar a interação social, a comunicação, a interpretação do código social, os sentimentos, a inflexibilidade e outros movimentos. Os sintomas permanecem com a pessoa durante toda a vida, mas podem ser melhorados com atenção qualificada e diagnóstico precoce. É justamente o tratamento personalizado para desenvolver as características de cada indivíduo que Fátima defende.

Afetividade

“Muito se diz que os autistas que não desenvolvem a fala são mais agressivos, mas isso é outro grande mito”, esclarece. “A forma como ele interage com a sociedade está diretamente ligada ao perfil de afeto que conhece. Afetividade é algo construído pelos modelos de referência, ninguém desenvolve afetividade sozinho, por isso é preciso se relacionar e desenvolver experiências afetivas.”

A especialista ressalta ainda que um dos caminhos pode ser o esporte. “Outro grande mito é dizer que os autistas não podem praticar atividade esportiva. Pelo contrário, essa atividade é uma importante ferramenta para os casos das crianças com hiperatividade. Elas precisam canalizar essa energia de alguma forma e o esporte pode ´consumi-la’”, finaliza.

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